Rasga violento
O silêncio
Com a tictaqueação
Do tempo
Relógio indiscreto
Acusa incessar
O tempo
Que não para de berrar
Criança que não dorme.
Nunca.
Fala frustrada da constante inconstância;
O sempre.
A infinitude das coisas que virão
Atordoam-se no vazio da imensidão
De tudo que é
E que um dia já foi.
Tic, tac, tic, tac...
quarta-feira, 27 de junho de 2007
SHERAZADE
Tudo começou num sonho. E o sonho virou poesia. Bonita, singela, simples. Sem necessariamente lógica. Mas cheia de sentimentos e sentidos. Quase onírica. Não fosse “sonho que virou poesia”, seria totalmente onírica. Mas o fato é que envolveu. Envolveu de tal forma que a poesia cresceu e virou muito mais rima. Música. Vício. Vício tanto que por si só não bastava. Virou conto. Conto aqui, conto ali: uma cena, um momento, uma denúncia. Contava tudo. E novamente amavam, cativavam, queriam mais e mais. E o conto virou romance: frases, parágrafos, páginas, capítulos. E não queriam nunca que tivesse fim. Nunca. E não teve. Cada palavra; um segundo. A linha; um dia. Páginas; meses, capítulos; anos. O livro da vida.
terça-feira, 26 de junho de 2007
segunda-feira, 25 de junho de 2007
sábado, 23 de junho de 2007
Momentum
O mundo se abriu como uma putinha. me oferecia, a cada esquina, todos os desejos de outrora. eu nada quis.
sexta-feira, 22 de junho de 2007
segunda-feira, 18 de junho de 2007
ASAS
O médico assustou-se com aquele buraco. Não tinha como fechá-lo de modo algum. Na realidade nunca havia visto um caso como aquele. Nunca. Passou muito tempo pesquisando alguma solução. Depois se suicidou.
Na procura desesperada por alguma resposta, ainda na infância do garoto, os pais acharam relatos de casos semelhantes que foram levados à fogueira durante a inquisição. Talvez houvesse mais casos perdidos na história, mas possivelmente as pessoas que passaram por esse infortúnio mantiveram-se incógnitas.
Não era sempre que acontecia, mas, volta-e-meia escapavam-lhe alguns pensamentos pelo buraco e todos conseguiam exergá-los sobre a cabeça. Não adiantava curativo, lenço, chapéu, tampão. Nada. E não se sabia em qual momento eles surgiriam; não tinha jeito, quando menos esperava lá estavam as idéias todas a mostra, nuas, cruas, explícitas, ofensivas.
Mesmo na idade mais inocente, cuja cognição se encontrava em processo formativo, no tempo em que as idéia eram coisas – coisas: mãe, pai, casa, chupeta – era assustador ver tudo sobre a cabeça do garoto. Mas o tudo foi só piorando conforme as idéias iam se desenvolvendo e ele tendo o pensamento mais complexo; até os complexos lhe escapavam.
E era o mesmo tempo-espaço dos pensamentos mentais e não das idéias traduzidas linearmente pela linguagem. Eles vinham violentos, confusos, emaranhados, poluídos, obcecados. E não calavam; pareciam nocautear os pensamentos tão bem guardados das cabeças que o assistiam e o condenavam. Gritavam, cobravam, descobriam, desejavam, sonhavam, imaginavam. Era hologramaticamente tudoaomesmotempoagora. Era o caos.
Já que não tinha como evitar a fuga repentina dos pensamentos, os pais trataram de tentar, pelo menos, ensiná-lo a policiar ou disciplinar as idéias. Inútil. Quanto mais vivia, mais apreendia o mundo, mais idéias tinha, mais contraditória compreendia (compreendia?) a existência humana.
Assim só lhe importava aprender como viver em paz. Na verdade a fuga dos pensamentos lhe dava um prazer orgânico muito intenso, era um gozo. O que o incomodava era a reação dos outros; “nós não somos obrigados a ver e ouvir seus pensamentos!”
Deu um basta nessa hipocrisia. Sabia que no fundo todo mundo também pensava. Passou a viver sozinho. E foi bem mais feliz.
Na procura desesperada por alguma resposta, ainda na infância do garoto, os pais acharam relatos de casos semelhantes que foram levados à fogueira durante a inquisição. Talvez houvesse mais casos perdidos na história, mas possivelmente as pessoas que passaram por esse infortúnio mantiveram-se incógnitas.
Não era sempre que acontecia, mas, volta-e-meia escapavam-lhe alguns pensamentos pelo buraco e todos conseguiam exergá-los sobre a cabeça. Não adiantava curativo, lenço, chapéu, tampão. Nada. E não se sabia em qual momento eles surgiriam; não tinha jeito, quando menos esperava lá estavam as idéias todas a mostra, nuas, cruas, explícitas, ofensivas.
Mesmo na idade mais inocente, cuja cognição se encontrava em processo formativo, no tempo em que as idéia eram coisas – coisas: mãe, pai, casa, chupeta – era assustador ver tudo sobre a cabeça do garoto. Mas o tudo foi só piorando conforme as idéias iam se desenvolvendo e ele tendo o pensamento mais complexo; até os complexos lhe escapavam.
E era o mesmo tempo-espaço dos pensamentos mentais e não das idéias traduzidas linearmente pela linguagem. Eles vinham violentos, confusos, emaranhados, poluídos, obcecados. E não calavam; pareciam nocautear os pensamentos tão bem guardados das cabeças que o assistiam e o condenavam. Gritavam, cobravam, descobriam, desejavam, sonhavam, imaginavam. Era hologramaticamente tudoaomesmotempoagora. Era o caos.
Já que não tinha como evitar a fuga repentina dos pensamentos, os pais trataram de tentar, pelo menos, ensiná-lo a policiar ou disciplinar as idéias. Inútil. Quanto mais vivia, mais apreendia o mundo, mais idéias tinha, mais contraditória compreendia (compreendia?) a existência humana.
Assim só lhe importava aprender como viver em paz. Na verdade a fuga dos pensamentos lhe dava um prazer orgânico muito intenso, era um gozo. O que o incomodava era a reação dos outros; “nós não somos obrigados a ver e ouvir seus pensamentos!”
Deu um basta nessa hipocrisia. Sabia que no fundo todo mundo também pensava. Passou a viver sozinho. E foi bem mais feliz.
sexta-feira, 15 de junho de 2007
Eterno Retorno
Quase sempre quero quase tudo. E não paro de pensar e de viver três tempos ao mesmo tempo. Passo no passado. O presente é um presente. O futuro quase sempre quase. É também passado.
Desejos sempre.
Sempre é outro tempo. Viver, sonhar, pensar, fazer, sentir.E tantas coisas que não se entende, mas mergulha-se profundamente.
Momentos.
Entrega, sorrisos. Às vezes fuga. E assim vão se tecendo os dias, que fazem fases que fazem uma vida. Conversas, pessoas, lugares, amores, saudades. Etéreo, abstrato, infinito, colorido. Aqui, agora, já. Passou.
Desejos sempre.
Sempre é outro tempo. Viver, sonhar, pensar, fazer, sentir.E tantas coisas que não se entende, mas mergulha-se profundamente.
Momentos.
Entrega, sorrisos. Às vezes fuga. E assim vão se tecendo os dias, que fazem fases que fazem uma vida. Conversas, pessoas, lugares, amores, saudades. Etéreo, abstrato, infinito, colorido. Aqui, agora, já. Passou.
quinta-feira, 14 de junho de 2007
TPM
Cigarro. Janela, fumaça. Grama, cortina. Campo de futebol. Escola. Árvores. Arquiteturas, corredores. Meio quente, meio frio. Fumaça. Desejos, medos, casas, prédios, luzes. Toda a cidade. Só. Silêncio, barulho, universo. Anel. Casaco, mão no bolso, pensamento. Parado, movimento. Saudade. Elegância, humor, mal humor, tudo bom, nada bem. uma sombra de música, uma certeza de dúvidas. Cinzeiro, lixo, caminhada, futuro próximo, futuro longe, passado, distância, saudade. A hora certa, as coisas erradas.O céu todo. Uma só estrela.
quarta-feira, 13 de junho de 2007
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