Tão vida bebe no peito, o bebê. O pai carrega para o carro a criança no sono de seus cinco anos. Os de uma década no teatro não percebem que lhes passou uma tarde porque estavam ocupados sendo rei, princesa ou dragão. A mãe sofre baixinho ao ler escondida o diário da adolescente que deixou para trás a virgindade. E sofre alto na conversa que revela - o que no fundo já sabia- o filho maior de idade: gay. Uma família de adultos unida da pior forma: deitados no tapete, sob a mira de bandidos num assalto. Os pensamentos de ansiedade aquietaram na mulher e a torturante espera de outrora é o conforto de agora. Enquanto isso a lua é linda e as estrelas permanecem. Testemunhas incompetitíveis. Um trago de cigarro, um gole de chá que esfria e música, sempre música, que trás o profundo silêncio. O olhar se eterniza em presentes palavras. Um sopro de tempo em cada geração, tudo que foi, é e será. Igual. Crianças que crescem e infância que fica. No peito bebe o bebê. O que foi leite e agora é vinho. Sempre bem vindo. Tão vida.
Carta para Hélio Lopes
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Oi pai. Hoje você faria 75 anos. Queria ter visto isso acontecer.
Esse fim de semana teve uma festinha de aniversário da Ana. Sua neta já tem
11 anos. J...
Há um dia