segunda-feira, 23 de julho de 2007

27

Volta-e-meia arrumo minhas coisas. Jogo fora o que esperava que um dia, no futuro, fosse usado. Desconexos tempos verbais. Cartas e lembranças que queria sempre ter vivas no peito e na mente. E as tenho. Mas aqueles papéis todos ocupam muito espaço, e juntam pó, e amarelam e tiram o viço do sentimento de tudo o que outrora foi tão vida. Como lembranças. E sempre que faço a limpeza dos armários, da alma, da mente, percebo que as coisas jogadas fora - que significam o desejo de tudo poder carregar e guardar dessa passagem- são as partes que representam e fortificam o que ficou. Os rituais repetem-se ciclicamente; vezes claro, vezes escuro, vezes frio, vezes quente, vezes solitário, vezes multidão, vezes tenso, vezes intenso, vezes coincidência, vezes intenção, mas sempre palavras repetidas. As sobras vão ao infinito, desconhecido, e a essência presentifica como sonhos que passam a ter significados mais profundos e reais. Quem está certo? Mais um ano de viver, menos um ano de vida. Maturidade, idade, experiência, passos, pessoas, coisas fora, vida dentro. Eu aniversário.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

OFF.

Ás vezes são só palavras. Mas é tudo o que tenho. Dose cavalar de remédio para ausência. Um sentimento que preenche e tortura e ao mesmo tempo complementa. Saudades. Preenche o vazio de vazio; caos. Incompreensível, incansável, torturante, disparate. A física e a metafísica, o etérea e o material, o presente e o transcendental. Tudo é trans, até mesmo o vulgar transformar. Tudo o que se foi e já não é, o que esteve tão vivo, presente e completo. Amor, paixão e. Distância, solidão

terça-feira, 17 de julho de 2007

L´amour toujours

Montanha-russa da vida sobe desce em espiral. Misto de inocência- infância; loucura-adolecência; aventura-adulta. No fundo só um ser humano. Surpresa em cada esquina, desafios, lembranças/presente. Desconstruindo (em gerúndio mesmo!) tudo o que se levou tempo para construir, afinal, quem espera sempre cansa. Frágeis verdades; cristal. Mais forte, porém, do que a absoluta ilusão e a absoluta razão. O eterno retorno. Surpresa sempre. Surpreendente. Tempo quando vinho e flor.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

CLAVES

A intensidade é a intenção da música no meu presente. Momentos, sentimentos, melodia dos dias. Passado e futuro também. Restos de memórias, lembranças, fases e metamorfoses. Rimas até nas disritmias. Imagem na ação, realidade e imaginação. Sinestesias, trilha sonora, vida-clip.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

SINOS

Um dia você procura um algo esquecido nas gavetas e encontra muitas outras coisas que lembram tudo. E se esquece d o objeto da procura. Percebe a infinitude das possiblidades de existência, de tudo o que ficou parado e deixou de ser. Mas a essência prevalece. O pó da gaveta não é pior do que o pó das idéias e dos sentimentos porque há diferença entre o tempo das idéias e o tempo das ações. Lapidação de alma, fim de excessos. Com calma. Solução: livrar-se do que não tem solução. Sem apego, sem medo, sem peso. Jogar fora, abrir espaço para o novo, não sofrer pelas possibilidades perdidas, mas, agradecer as conquistas vividas. E se preciso mudar. Ganhar espaço, não competir com o tempo. Gavetas sempre existirão.

terça-feira, 3 de julho de 2007

FECHADO

Da sutiliza das coisas;
Das mais duras
feito pedras puras.

Da não pressa
Da beleza além da forma
Muito mais bela
Porque é eterna.

Do silêncio que está entre o som.
Da infinita imensidão
Que cabe no menor segundo.

De tudo que é profundo.

Do tempo
Do amor
Da poesia
Do óbvio
Que se espera
Sem ser rima.

Do desensimesmamento
Da humildade que vem atrás da cabeça erguida
Tão frágil
Tão vida.

Da verdade
Do tempo
Fortalecimento.

De tudo o que virá
De tudo o que já passou
De tudo que se é.

Sutil
Etéreo
Eterno
Terno
Torna-se.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

REVERSO

Medo de lado:
Não existe pecado.

Desafio do escuro
o peso do futuro.

Nem saudade
Nem ingenuidade...

Pé no chão
Olho na mão.

Vi
vou
vivo.