quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

SAUDADE


Passou, sem saber, a tarde toda esperando a chuva cair. Queria acreditar que a melancolia que a acompanhava eram apenas aquelas nuvens carregadas do céu.
Espremia em vão as palavras como se com elas saíssem da mente as lembranças de momentos bons, mas que a torturavam pela ausência. Só o gato para ouvi-la. Ela e o relógio que não parava de tictaquear o tempo que não volta mais.
O vazio dos cheiros que musicam, dos ruídos em sabores e, sobretudo de todas as distâncias que silenciavam e traziam com violência o passado na mente.
Caminhos e carinhos. E uma vergonhosa sublimação em aliterações como a angústia de quem não quer parar de escrever, mas já não tem palavras.
Ela é uma velha costureira que sonha fazer uma linda manta de fios de seda dourados, mas só possui alguns retalhos coloridos esgarçados.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

DOS LIVROS, FILMES E DA VIDA REAL...


Então ontem assisti “O amor em tempos de Cólera”, filme da obra de Gabriel Garcia Márquez, o autor dos “Cem anos de solidão” que me acompanharam nessas férias. E hoje assisti “Desejo e Reparação”, baseado no livro de Ian McEwan que li nas férias do ano passado. Uma conclusão: amo cinema, literatura e férias, claro!
Como é bom poder experimentar uma mesma obra ou autor em diferentes linguagens... O legal desses dois filmes é que ambas as histórias envolvem amores que passam por toda sorte (ou azar!) de obstáculos. Tempo, distância, mentiras, ciúmes, poder... Enfim, romances.
Daí me pergunto se o amor é assim mesmo, ou se é assim também, ou se simplesmente é. Não sei, mas na vida real, na minha vida real pelo menos, parece que há muitas formas de amar, até as de livros e filmes podem ser reais. Sei lá...
Esse é um assunto que me confunde um pouco ainda e penso que ainda bem! Lá vão 27 e tantos anos e cada vez uma nova história de amor me surpreende de alegrias e também decepções como se fosse sempre a primeira descoberta.
Deve ser esse o lado bom da vida real. Não é roteiro, nem literatura, só às vezes alguns sentimentos postados no blog como se fossem alguns capítulos do meu romance de viver. E no de hoje, além do desabafo, fica para os que aqui visitam, a dica desses filmes e livros! ;)

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

FELIZ ANO NOVO!!!

(para Vinícius, Alexandre, Inês,Gabi e Clara)


Eu rio, rio, Rio... iupi da vida porque comecei janeiro no meu Rio de Janeiro (com deliciosas paradas literárias em Macondo). E assim me renovo e escrevo com todas as desatualizadas letras nesse blog o quanto estou feliz. Feliz pelas pessoas maravilhosas que cruzam minha vida, pela liberdade de tomar decisões que me permitem ir e fazer o que quero, por ter sonhos e lutar por eles, por ouvir e ser tocada por uma música, pelos momentos, pela poesia, pela libido, pelos lugares, pelas palavras, pelas vivências, por toda sinestesia que habita em mim e pela generosidade de trocá-la com os que iluminam meu caminho. Vezes faltam palavras para tantos sentimentos e mesmo assim, humildemente, peço a vida: que venham muitas e muitas linhas. Retas, curvas, sinuosas, infinitas... no rosto, no corpo, para andar em desequilíbrio, para serem escritas, para serem vividas, para serem lidas e relidas. A-no no-vo.

sábado, 22 de dezembro de 2007

ADEUS ANO VELHO...




Às vezes me surpreendo com o descaramento que tenho de falar tanto a verdade. Amores, oportunidades, amigos... Talvez tenha perdido muita coisa, mas como é bom estar limpa, transparente tranqüila com a consciência. Por um único motivo: ouvir o coração. Pudera eu fugir dessa voz, mas em mim ela não fala; grita, berra. Única escolha e já era!
Hoje tem uma palavra que me dá muita vontade de dizer... é: “Obrigada”. Então vou repetir, repetir e repetir: O- BRI- GA- DA.
Não sei por que, nem para quem. Talvez para a vida, essa infinita imensidão que abarca todos nós e que mesmo nas dúvidas se faz presente pelo fato mais óbvio que é o existir. Tão óbvio que até se torna banal e daí já estamos lá, perdidos naquele mar de quereres, ansiedade, raiva, medo... Pontos negros na estrada que se varridos para baixo do tapete afundam na terra e renascem como galho torto, vento, escuridão e tempestade.
Prefiro sempre a luz, essa que me guia nos momentos de solidão, de gratidão, de criação... Essa que me traz tantas pessoas, presentes, lembranças, momentos, conhecimento. Essa que me diz que o ano acabou, mas que apesar da idade, do fim da ingenuidade, a vida sempre só está começando. Sempre. Até no fim.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

HOJE



Tô feliz e sem mais palavras só quero postar minha alegria!

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

LUZ


um algo muito mais profundo, muito mais conteúdo, que é o viver: tão livre quando desprovido de querer.
Um corpo que comporta uma mente, um coração e, acima de tudo, muita história. Histórias do que não se vê, do que é sagrado, segredo, eterno e único. E que pode ser traduzido para quem vê de fora como ilusões, mas que na verdade são ondas que vibram o lago com a pedra jogada pelas mãos da curiosidade-intuição infantil.
É da fragilidade que vem a beleza da maior força; é dos medos que se descobre a coragem; já disseram que disciplina é liberdade.
Bom é trilhar caminhos, ter metas, seguir retas. E melhor ainda é andar pelo caos com a única certeza da incerteza.
Respiro e lembro que em meu corpo há espaços infinitos que me ligam ao céu, a terra, ao cosmos, ao universo. E inspiro um pouco mais de confiança em Deus, em Eus, na criança. Porque é sempre rima, lira, brincadeira de roda. Puro como a flor, a bondade e o amor.
Na grande barca que nos leva, algumas lágrimas são necessárias para temperar a vida. Lubrificar o olhar e lavar a janela com a alma dentro para estender sem grampos no varal e deixar que quem carregue seja o vento...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

PLAY WITH ME, OU, TEM ALGUÉM AÍ?

Momentos e momentos de vida... fico querendo entender todas as diferenças passado/presente e tentando sonhar com o futuro, sempre em gerúndio, porque do nada se fez o verbo.
Esse futuro de outrora e que agora é passado, de sonhos realizados; de comerciais de tv que gravei, mestrado que conclui, aulas na faculdade que ensinei, espetáculos quem montei, amores que vivi...
Isso e outras coisas talvez tão menores e tão mais simbólicas como a Juliana de uns três ou quatro anos atrás que vi hoje caminhando por uma rua escura e tomando banho de chuva.
Sim, hoje passei pela mesma rua, com a sensação da mesma chuva, e vi a Ju lá: com seus sonhos, suas angústias e sua poesia dos 23 anos. Tomava banho de chuva no escuro, sem medo. Ela só queria caminhar e se estava à noite e chovia não importava, porque ela podia pegar um táxi e voltar a qualquer momento.
Ela fez isso só para me mostrar, hoje para a Ju dos 27 anos, que nada é um caminho sem volta. Mas as experiências de vida é que vão lapidando a alma e nos fazendo adultas, velhas e vida. Lembro de Miguel Sanches Neto que li ontem: só quero envelhecer em paz!
Acho que no fundo eu também só queria isso, mas os sonhos de juventude, a ingenuidade de criança, os medos de adolescente ainda se fazem tão presentes. Coisas que outrora eram uma dificuldade e hoje se revelam tão simples e outras que são tão simples que ainda tenho tanta dificuldade de entendê-las... mesmo assim mantenho a fé na vida que me presenteia com pessoas que aparecem para iluminar meus caminhos, outras para confundir, mas, indiscutivelmente, todas para dizer: isso é viver.
E qual a segurança que espero como colo de mãe que afaga seu bebê? Nenhuma, a não ser pensar que amor de mãe é o maior que há, mas que toda a procriação vem da insegurança de pensarmos que não somos eternos.
E eu ainda tento me eternizar em textos e palcos... e me pergunto se foi o que escolhi! Mas, é o que sei fazer, o que pulsa em mim e não posso fugir. Tenho muita sede e muita fome e penso que com meus quarenta ou meus sessenta anos não vou ter aprendido, ainda, a viver.
Vou tentando enquanto isso, entre letras, pedaladas, tragos, caminhadas e saudades de um banho de chuva noturno sem medo e sem apegos...