terça-feira, 11 de março de 2008

CHOVE

De repente
Repete
Uma música

Da
Vida
Momento-poesia.

Silêncio e sentimento
Que toca o que é fundo
Mais profundo
Que lembranças e sentimentos do mundo.

Crianças com picolés
Adolescentes que descobrem o corpo
Adultos que vivem tudo
O que parecia sonho pouco.

Tudo é falar de nada
Porque vem esse segundo
Lavada da alma
E carrega o futuro.

Respiro

Uma flor.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Da razão e da emoção...




Hoje recebi um e-mail desejando um feliz dia das mulheres de um leitor do Tudoazulzim. Junto com as felicitações ele me informou ter postado meu texto anterior, “Um segundo”, no seu blog (para quem quiser verificar:
  • professorjuacy
  • ). Sem dúvidas, um grande presente para uma mulher!
    E se esse tocou no meu lado emoção, a coincidente citação do Tudoazulzim também no dia de hoje no blog Todoprosa (para mais uma verificação é só ir à listinha dos links aí do lado!) tocou na melhor parte do meu lado razão.
    Na verdade, uma das poucas coisas que realmente aprendi nos meus 27 anos é que a Ju, essa que vos escreve, não sabe muito bem – ainda bem!- separar a razão da emoção. Adoro a palavra “sentipensar” que li no Livro dos Abraços do Galeano uma vez para definir isso.
    Lá no Todo prosa ferve uma discussão sobre o assassinato do comandante Reyes, das FARC. E naquele espaço tenho descoberto a amplitude da comunicação blogueana (ou seria bloguística?) como alternativa contra o domínio dos meios de informação que impõem às massas certas verdades convenientes para o a manutenção do status quo.
    Aqui no tudoazulzim encontrei um espaço para transpor algumas palavras que às vezes sufocam meu peito com emoções que não sei ao certo de onde e porque vem, mas que me dizem: “você vive!”. E tenho a alegria de descobrir em alguns dos comentários aqui deixados que muita gente compartilha disso também.
    Sem mais palavras, só queria dizer que essa “brincadeira” está sendo ótima: conhecer opiniões, informações, sentimentos através do blog. Um rizoma da grande rede que nos conecta em algumas idéias e ideais, razões e emoções. Viva as pessoas dessa rede, viva o Pessoa nessa rede: “Navegar é preciso, viver não é preciso”.

    sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

    UM SEGUNDO



    As lembranças bonitas
    O que toca o coração
    Prosas e rimas;
    Uma canção.

    As palavras que transbordam
    Aos que transformam
    Os sentimentos;
    Momentos.

    O que é mais existência do que a matéria
    O que é sólido e se desmancha no ar;
    Os presentes que o presente dá.

    O que olha
    O passado ou o futuro;
    A janela

    Eu, você;
    Nós
    Ele e ela.

    À vida
    Que tece destinos
    Com os fios do dia-dia...
    Que já foram esquecidos.

    domingo, 24 de fevereiro de 2008

    RETORNO DE SATURNO


    MEU OLHO
    VERDE
    DE VER
    VERDADES
    E TANTA COISA ASSIM
    DESCOBRIU QUE AGORA
    SÃO AS COISAS
    QUE OLHAM PARA MIM.

    foto: Carlos Martins, 2004.

    domingo, 17 de fevereiro de 2008

    DEDINHO DE PROSA

    foto: Rogério Nunes, 2008



    Deixo as janelas abertas
    E sinto o vento;
    Não estou nunca sozinha
    Porque invento.
    (me reinvento)

    Como o gosto
    Doce da infância
    Como salada de frutas
    No desejo e na ânsia

    Uva
    Passa
    Uma
    Mão

    Que acaricia e trabalha
    E pega o que cai no chão.

    sábado, 16 de fevereiro de 2008

    MAIS FILMES...



    Duas histórias baseadas em livros (Oil!, de Upton Sinclair, 1920 e Onde os Velhos Não Têm Vez, de Cormac McCarthy, 2003); dois atores fenomenais (Daniel Day-Lewis, Globo de Ouro de melhor ator, e Javier Bardem, do recém postado Amor em tempos de Cólera); dois filmes ambientados nos desertos norte-americano (Califórnia e Texas); duas histórias sobre dinheiro e violência (decorrentes da explosão petrolífera da virada do século e do tráfico internacional de drogas); 16 indicações para Oscar (oito e oito, respectivamente!) e uma coisa mais do que relevante em comum: o surpreendente final.

    Sangue Negro (There Will Be Blood. EUA, 2007), do escritor e diretor Paul Thomas Anderson e Onde Os Fracos Não Tem Vez (No Country For Old Men. EUA, 2007), dos Irmãos Ethan e Joel Coen, são os nomes dos dramas cinematográficos, excelentes, diga-se de passagem.

    O primeiro é a história de vida do pai solteiro e magnata do petróleo Daniel Plainview. Ele descobre numa pequena cidade, Little Boston, a existência de um mar de petróleo. Segue para lá com o filho, H.W. (Dillon Freasier), mas a adaptação na cidade é difícil, sobretudo em função da igreja do carismático pastor Eli Sunday (Paul Dano, ator maravilhoso, desde Little Miss Sunshine, aliás!). Plainview e H.W, tentam a sorte, mas mesmo quando o poço traz toda fortuna, nada permanece igual; valores humanos - amor, esperança, comunidade, crença e elo entre pai e filho - são colocados de lado em função de mortes acidentais ou não, corrupção e fraude em torno da riqueza petrolífera do protagonista.

    A segunda história se passa na fronteira com o México, onde o descumprimento de leis contextualiza um novo mundo cujas antigas regras não mais se aplicam. Triste com essa realidade, o xerife Bell (Tommy Lee Jones) representa uma inconsolável nostalgia e forma de resolução de crimes ainda do modo ortodoxo. Nesse clima persegue um texano comum, Llewelyn Moss (Josh Brolin) que se apossou de dois milhões de dólares encontrados na caçamba uma picape cercada por homens mortos com uma carga de heroína. Paralelos à precária perseguição do xerife, poderosos do tráfico também buscam o dinheiro, o que dispara uma violenta reação em cadeia.

    Durante a exibição, é de se ficar tensamente grudado na cadeira. Mas é no final que as surpresas se revelam nos filmes: as histórias explicitam como o poder do dinheiro numa sociedade cujo ter sobrepõe-se a qualquer ato de ética ou humanismo é representado por uma violência gritante. Metáforas da vida real.

    quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

    SAUDADE


    Passou, sem saber, a tarde toda esperando a chuva cair. Queria acreditar que a melancolia que a acompanhava eram apenas aquelas nuvens carregadas do céu.
    Espremia em vão as palavras como se com elas saíssem da mente as lembranças de momentos bons, mas que a torturavam pela ausência. Só o gato para ouvi-la. Ela e o relógio que não parava de tictaquear o tempo que não volta mais.
    O vazio dos cheiros que musicam, dos ruídos em sabores e, sobretudo de todas as distâncias que silenciavam e traziam com violência o passado na mente.
    Caminhos e carinhos. E uma vergonhosa sublimação em aliterações como a angústia de quem não quer parar de escrever, mas já não tem palavras.
    Ela é uma velha costureira que sonha fazer uma linda manta de fios de seda dourados, mas só possui alguns retalhos coloridos esgarçados.