segunda-feira, 19 de maio de 2008

AVESSO

(Pintura do meu querido e grande amigo Mayito, de Cuba)

Sou
Sol
E céu;

Não sei.

Só sei
que invento
quando vento

calor.

putas
pautas
e pausas

e claves.

de sol
no que é mente
e cor

azul
Do sonho
Meu.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Memórias de Maio


brrrrrrrrrrrrrrrrrr

Chega o frio e, mesmo tendo vivido alguns quase 10 220 dias inéditos, a sensação ruim se faz mesmice.
Nessa semana, pelo menos, percebi o cheiro bom da temperatura que só essa época tem. E também o pôr-do-sol e as noites estreladas que são mais lindas. Tomei vinho com companhia e sem maldade e dancei sozinha no meu quarto, de pijama, cachecol, touca azul e jocosidade. O que a vida não dá a gente faz, afinal:10 220 dias desiguais!
Coleciono o mal estar dos invernos, mas também algumas pequenas e grandes preciosidades; conhecimento, amores e amizades. Conquistas, conforto e aconchego numa caixinha de música. Um carro azul sem rádio na garagem e no diário às vezes também ansiedade e decepção, por que não? Menina de trança que voa-vai-e-vem na balança. Baila e dança a lembrançaudades.
Mas o que fica, mesmo em dias frios, é o presente e a beleza dos dias-presentes. Onde há procura, há cura em céu, nuvens e pensamento. E atitudes em firmamento, passo- a -passo de pés no chão. E cada vez mais a maturidade grita a descoberta de que só coberta não aquece o coração.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Á PROVA


Chove e me acalma;
Lava a casa
A calça
E a alma.

Eu sou – também-
Uma gota
Louca
Daqui para o além.

Tempo traz
À prova;
Ausência e essência
Em permanência.

Licença;
Sem lenço
Documento
E silêncio

Sim ao pensamento
Sem ti (r)
Par(a) ti(r)

sexta-feira, 25 de abril de 2008

ESTAÇÃO


minha
vida
movida
em
novida
des
encontros

mínima
poesia.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

DOIS A ZERO


Os onze jogadores em cada campo estão preparados para iniciar a partida. E de um lado também temos ele- louco por futebol - e ela que nada disso entende. Entra o Juiz e uma relação estável; é o amor! Inicia a partida: Toque de bola para um dos times, ele não perde um jogo e ela decide aprender sobre o esporte. Cruzamento. Ele gosta de cerveja e ela de vinho. Um belo passe e a torcida vibra. Um ponto em comum: é realmente lindo ver a torcida vibrar! Centro-avante à direita, ela cozinha com prazer para ele que trabalhou no fim de semana e não pode ver o jogo ao vivo. Goooooooooooooooool. Mais torcida que vibra. Tiro de meta. A meta agora é um plano a dois. A bola se desloca para linha de fundo e os pensamentos dela são profundos: compreende melhor o universo masculino na tríade futebol- mulher -cerveja. Intervalo e no segundo tempo pensa um momento: a diferença é a tríade salão de beleza- criança- vinho. A certeza. Mais um gol e o time é classificado. Dois a zero e somos dois. Depois. Antes, os comentários sobre o jogo no rádio, tribuna esportiva, mesa redonda, jornal da tv. E no geral foi filme, teatro, colchões e você. Fim de fim de semana e uma felicidade: dois times que ganharam!

(para Bernardo.)

sábado, 12 de abril de 2008

(imagem do mestre Carlos Zéfiro)
Na esquina. Ventre. Liso e sorriso. Sem dente. Um segundo que fere, uma segunda-feira. A eterna sensação de que tudo escorre pela mão. Sim e não, sem lenço e silêncio. Sem paixão. Um pequeno presente e muita doença. A espera de alguém passar sem expectativa nem ansiedade; há penas. Necessidade. Fome, sem versos. Diversos. Chuva e buzina, nunca canção. Frio, casca dura e solidão. Não há saudade, não há vontade, não há tesão. O que há de mais precioso: um pano de chão. Madrugada. Uma puta. Uma pena.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Sem palavras

Um pingo cai
Procuro poesia
para me inspirar

Não há.

Hoje cabe
Só um
Haicai