terça-feira, 28 de outubro de 2008

DE NOVO


Duma flauta transversa ouço um som que diz: mudança. Algo que pulsa em mim muito além das batidas do coração e do tempo da inspiração e que quer gritar, atropelar, nascer, romper, ferir para brotar. É brainstorm e não é lead, os jornalistas que entendam a metáfora. Mas não é notícia também, afinal, sempre fui mais poesia. Quero mudar de casa, quero viajar, quero bater asas. Cansei de ser livre como roupas no varal; quero agora ser o vento, etéreo, histérico, esquecer o tempo. Sou mulher além do espelho porque a fundo amo e desejo. Humanidade. Sonho na força da fertilidade. O que me faz e faz gente, a força do infinito, dos altos e baixos, medos, tentativas e acertos e acima de tudo, fiel e divino. Sou só o que ouço. O som da mudança: dança mundana, me espera o mundo, som, mudo, reafirmo: sem medo, balanço a fundo, me firmo.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

MEDOS


Sim,
Simples assim,
Como as flores que desenhei em mim.

Não é metáfora,
é razão;
Desenhei as flores com a mão!

Com fé,
Desenhei a primeira
Quase no pé.

Flores de criança
Como quem se lança
mas que balança.




Como rimas pobres
Que brincam de poema;
Mínimo fonema.

Ontem o que passou
Esqueço... revivo
Paro...respiro.

E vou.
E vôo.

domingo, 12 de outubro de 2008

TPM 3

Às vezes quero chorar e não tenho lágrimas. Às vezes quero arrancar todas as páginas do meu diário concreto, repleto de felicidade. Às vezes só quero fazer a curva da ansiedade e deixar para trás os pensamentos torturantes, de inexistências. Sentar num sofá e saber que tudo passa. Às vezes tudo rasga. O peito.
Às vezes quero pintar a vida com as tintas mais coloridas, mas não tenho inspiração. Às vezes mente fala sem parar coisas desconexas, minhas ou fictícias. E só preciso de silêncio e pés no chão.
Às vezes confio na vida como quem fia os tecidos da imensidão. Profundidade da existência tão só e tão perdida. Mas às vezes amo a solidão.
Às vezes quero chegar ao topo sem subir os degraus e sem bater as asas que me fazem voar.
Às vezes sou xadrez; às vezes rei, às vezes peão. Também às vezes cavalo, torre, bispo, rainha, regra, dúvida e solução. Às vezes a própria jogadora na infinita lógica das probabilidades e possibilidades do que sonho no veludo macio de cotidianos e da ação.
Às vezes sonhos e às vezes dolorosas concretudes. Às vezes amável calmaria.
Tão sentido tudo que é sem sentido nessa avalanche que justifico com hormônios, mas que me entorta a visão porque tenho outras lentes, necessárias, de percepção.
Tão caos, tão arte, tão infinito, talvez até tão bonito.
Ou só pura vaidade.

sábado, 4 de outubro de 2008

TRÊS PONTOS

(hehehe... bem preguiçosa, entre cobertas, sem maquiagem e feliiiiiiiiiiiiz!)

Um tempo flutua no relógio outro escorre na janela. Na cabeça, nas emoções, na história de vida tudo se mistura como os ingredientes mais gostosos para o bolo mais doce. Isso! Eis a metáfora certa para o dia de hoje...dia no qual, aliás, inventei um doce também muito gostoso. E como com texto poético também se faz receita, lá vai: grelhei uma banana e ralei um pedaço de chocolate amargo nela ainda quente. Só isso. Simples e perfeito, como quase todas as coisas que são simples e perfeitas, como forrar a cama com cobertor de pêlo em dia frio.
Adoro doces, adoro me maquiar, adoro ver gente, adoro fazer mil coisas, adoro tudo ao mesmo tempo agora. Mas hoje o tempo escorre pela janela e me harmonizo com a chuva: é bom ficar em casa, só, com casaquinho de lã, sem maquiagem, devagar e quentinha como a lindeza de vovó. Ler, ver filmes, fazer tudo que ficou pendente, que incomoda porque nunca tenho tempo para fazê-lo.
Hoje o tempo sobra, flutua, escorre. Músicas, lembranças, sonhos são sempre presentes, mas hoje tenho mais tempo, porque hoje o tempo é o maior presente. Tempo nuvem, tempo sonho, tempo tempo, tempo cheiros, cores e doces. Tempo flor, amor, paixão, calma e também tempestade. Ímpeto e tempestade, eu diria se fosse tempo de romantismo alemão.
Tenho tempo, sempre o tenho, mas hoje ele é tão meu que é imensurável porque é, porque passou, porque virá, porque é infinito. Para mim, para ti e para sempre.

domingo, 14 de setembro de 2008

DOMINGO


(imagem de Giuseppe Arcimboldo)

Moscas sobrevoam esse pobre blog que sofre pelo abandono da dona... mas eu avisei sobre a ausência. E voltei. Sempre volto quando prometo, ainda que tarda, ainda que arda. No peito. Dramático, sim, porque sou assim, sou atriz.
Volto sempre com rimas até na falta que faz o ritmo. Com disciplina e continuidade. Mesmo quando se faz necessária pausa, pelo menos, para dar saudades. Como um livro que se lê, que se para na metade. E sem fluidez inicial; uma retomada. Mas basta reabrir a página para a re-voada.
Também gosto de coisas etéreas. Apesar de efêmeras na memória se registram. Até o perfume do óleo de banho é um dos sentires que fazem história. Sentidos.
Tudo o que se transforma em marca de existência. Aroma das proteínas do leite com óleo de amêndoas; gosto de capuccino com ou sem canela; ela e seu olhar de criança: a infância. O toque das mãos nas mãos diferente do toque nas teclas que fabrica palavras eternas. E até o ouvir dos dizeres perdidos, sem rima e – definitivamente- sem sentido:
“O Brasil é o próximo país do futuro”.
E ainda,o sexto, sempre sentido. Além do tempo-espaço que me faz pensar, entre ânsias, angustias e devaneios... onde será que moram duendes, gnomos, bruxas, fadas e seus reinos?

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Perfeição


(eu já voei!!!)

Pelo corpo me passa a vida no calor e velocidade do sangue que corre como o pensamento que se torna escrita. No espaço infinito que há entre cada vértebra e que se liga ao universo; em verso. Na respiração que renova como prosa. Em cada articulação que me move like movies. Na pele enorme que cobre cada parte; pura arte. Nos olhos que tudo retém na retina em viva fotografia. Na boca que come, beija, fala e nunca cala; ânsia, canto, teatro e encanto. Na intuição e no inconsciente que pulsam em cada célula; sou centelha, sou poema. Nos meus Eus, em arte, em Deus. No pé que me planta ao chão; imaginação. No coração, pulmão, víceras e sempre em rima. Ritmada pintura e escultura; ser humano, perfeição pura.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Estrada




Hoje dei um suspiro. Não sei se o melhor foi a ação ou a percepção do fato. Foi tão harmônico, tão etéreo, tão bolha de sabão. Aliás, há dias tenho imagens bem metafóricas na mente como a das bolhas. São pássaros nos fios de luz como notas musicais; doces de bocas-beijos-vermelhos, flores, estrelas e perfumes. Sim, imagens com gosto e cheiros, sinestesia pura. Acho que são parte do meu eu-poético- artístico cada vez mais reconhecido no caos fluido desses recém completos vinte e oito anos como viver.
Outra imagem que carrego atualmente é a da Península Ibérica a deriva, uma influencia do Saramago que estou lendo e que também faz parte do que sou. “A Jangada de Pedra” é o quarto ou quinto livro dele que leio, mas desde o primeiro (“Ensaio sobre a cegueira”) em que descobri “uma coisa que não tem nome: essa coisa é o que somos”, tenho-o como uma das pessoas que felizmente sabe ferir minha alma com a densidade das palavras que me desestabilizam, destroem, reconstroem porque me fazem sentir e pensar.
Queria eu estar mais a deriva, mas o momento é de muita disciplina em função de trabalhos. É bom também, sobretudo porque são escolhas minhas e porque, apesar de tudo, mesmo nesse ritmo há o suspiro, as imagens poéticas, a literatura e algum tempo mínimo para o blog.
Contraditório. Tempo-mínimo-relativo. Natural nesse universo em rede que é materialização quântica, afinal, só faz pouco mais de um ano que iniciei essa experiência e as dimensões que a blogsfera me apresentou também se fazem presente nesses momentos de suspiro. Por isso, não podia deixar de encerrar com um muito obrigado às pessoas que por aqui passam! E está justificada a demora para responder vossos comentários...