sexta-feira, 22 de abril de 2011

DAS MUDANÇAS




Já vai fazer um ano e dois meses que o Téo nasceu.
Eu-mãe também.
Agora sem mil monstros e duas mil ansiedades que reinavam na mente.
E sem saber onde vai dar essa história de cada dia sentir um amor maior, imenso, infinitamente.
Haja fé, viva o dia-a-dia.
Eu que queria ser grande, rapidamente Doutora, hoje só quero reaprender a ver o mundo como os pequeninos.
Como é difícil ser mínimo.
Ainda bem que sempre fui cores e dó ré mi fá sol lá, sem dó. Isso ajuda a me aproximar do menino.
E continuo amando doces, vinho, sexo, trabalho, descanso, família, viagens, caminhada, música, livros, filmes e amigos.
Outras coisas e bolhas de sabão.
Só que tudo, tudo tem um gosto, um cheiro, um som, um toque, uma visão de filho.
E ainda uma intuição.
Corpo de mulher; já não me preocupo tanto.
Mas desmonto ao ver aquele meu mini pé, mini mão, mini pessoa, que encanto!
Digo meu, mas sei que é do mundo.
(Mãe pode ser um pouco egoísta.)
Mãe pode tudo.
Mãe faz tudo, porque quando precisa, descobre um poder que nem sabia que tinha.
(Isso é só um ano e dois meses...)
E vai uma, duas... uma duas vidas ou duas uma vida.
Tá escrito, um dia, para entender melhor, volto nesse registro.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

LUA ADVERSA - Cecília Meireles


foto André Pinnola, jan. 2011


Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
Fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
Tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vem,
No secreto calendário
Que um astrólogo arbitrário
Inventou para meu uso.

E roda a melancolia
Seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(Tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
Não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
O outro desapareceu...

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

2011 (para Fábio e Téo)



Café. Com fé, amanheço. E o sorriso da criança traz a luz de todo dia. Toda semana, todo mês e toda a vida. Colorida. Simplicidade de fazer tudo valer. Poesia até na prosa, até sem rima. Eu nino ele e ele me mima. Entardeço e Jogo ao universo tudo o que posso e sei. Mínimo. Uma hora, ele, infinito, devolve o que eu nem imagino. Pimenta à noite e anoiteço. Uma noite, outro dia...

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

feliz ano novo



Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovakloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: - Me ajuda a olhar!”
Eduardo Galeano, in “O livro dos abraços”

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

mundoazulzim



Hoje coloquei o Téo no balanço do parquinho. Ele dorme agora, deve sonhar com a alegria do dia. E eu, mãe boba, não consigo tirar da mente a imagem dele gargalhando na felicidade de balançar. E ouço uma música que marcou a época em que estava grávida, e balanço. Balanço de saudade daquela fase linda, como balançarei de saudades do dia que vi o Téo balançar pela primeira vez. E assim vai pensamento, sentimento, coração; um vai-vem de emoção que mistura passado, presente, futuro. Medos e anseios, parece que quanto maior a felicidade, maior é a responsabilidade de se manter feliz. Mesmo que por prazer, sadismo, humano, sem fim.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

sábado, 28 de agosto de 2010

EU

Quando me perco, começo de novo. Com música; tudo é possível, até o silêncio. Uma pausa para sentipensar e buscar a linearidade em meio ao caos. Amo um, preciso de outro. Livre e um livro. Passado, presente, futuro, sempre. E a busca inútil pelo espelho que poderia mostrar quem se realmente é. O ideal não existe, o real menos ainda. Mesmo assim, caminhando se faz o caminho. E aqui me vou.