sábado, 12 de maio de 2012

MOVIMENTO

(Foto na minha casinha, quando Téo ainda era pequenino, em homenagem ao dia das mães)

Nunca sei se algumas coisas na vida são sonhos ou premunições. Sei que aprendo com os outros. E aprendi a não me ver pelo interior dos outros; cada um guarda em si a sua casinha. Por fora sim, espelhos. Guarda- roupas e espelhos... assim somos e nos temos nos outros: ver por fora, guardar por dentro. Cada um tem sua casinha. E as coisas se constroem. Primeiro em ideias, depois em palavras, e, enfim, em matéria. Casa, espelhos, guarda-roupas. Somos muito mais que matéria, eu sei. Mas quando as coisas se materializam é que podemos ver a força dos nossos desejos. Ou dos nossos medos. Me espelho em outros, sim. Mas cada qual com seu guarda-roupa, com o que guarda em si, com a sua casinha. Portas fechadas para as ansiedades e abertas, alma forte, para o mundo. Porque o tempo só revela o que é essência. Como quando escrevo: não por ego, não por medo, não por solidão ou por desabafo. Simplesmente porque sou, porque amo. Palavras. Janelas da minha casinha.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Nas portas do paraíso

(foto de quando eu estava grávida... e uma saudade...)

Não sei como nem por que. Mas as coisas acontecem. Barriga cresce, bebê nasce E cresce. Vida vai... E nada volta a ser como antes. Ingenuidade... A melhor parte da vida, sem dúvida, mas algo ficou para trás. E aí, só lembranças. Músicas, imagens, cheiros, sabores, mensagens. E a vida caminha, para frente, só para não sei onde. De repente letra é palavra. E frase, parágrafo, texto, intenso, um livro, a vida. De linhas escritas também com pontos e vírgulas e ponto-e-vírgula; E sempre: as coisas acontecem e aparecem na medida que podemos e precisamos. Isso é. Não sei o que será, não sei o que virá, mal sei do que foi. Para mim, para você, meus pais, irmãos, amigo, alunos, marido, filho. Mas que algo vai acontecer, vai, afinal, tudo cresce. Só porque estamos vivendo, simples assim. Até o fim. Sem medo e sem segredo. Deixar fluir, até o fim. Respirar e encontrar a si, no silêncio. No aqui, no agora. Sem demora. De tudo o que fica, afinal, são só lembranças, na melhor das hipóteses, palavras. Lavradas, paradas, à espera da vida dos olhos de quem lê. Da imaginação envolvida, movida, rica de imagens, infinita. A sua diferente da minha. Mas todas mobilizadas por palavras. Fruto da vida, aqui, lida e registrada. Para sempre, só palavras. De tudo o que fica, que não sei o que, nem por que. Tudo cresce. E nada faltará. Para sempre, quando se tem uma madrugada.

quinta-feira, 22 de março de 2012

RESPIRAR



Hoje eu tenho o tempo que se desdobra, que se enrola, que memória, que cabe em mim, que me carrega, que rima... e fim. Finda e volta, como o dia, a primavera, a vida, as ruas, bairros, cidades e esquinas. Das que vi, vivi, revivi ou viverei. Muitas ainda.
Hoje eu tenho o tempo como sonhei, como desejei e aprendi a agradecer o que recebi por merecer. Po rque o tempo me ensina que esperar é a sina. Fundamental verdade de quem namora o tempo: tempo meu, para sempre quero ser tua concubina!
Áh, o tempo. Da infância, carrego nos braços em forma de menino: meu filho. Eles me ensinam outro tempo, outra vida. Aprendizagem: era eu a menina! Agora mãe, mulher. E bonita. Tempo passa e outra beleza é a aque fica... voam borboletas lindas.
O tempo das letras, conteúdo, maré em que navega minha vida. E das tintas, coloridas. Arte, essa sim, infinita. Das letras, cores e rimas. Flores, coração com nome de filho, lua e estrela, pimenta. Tatuagens em meu corpo e viagens. Coisas que amo, tudo com seu tempo, do que passa , do que fica e do que virá.
Repito, o tempo numa caixa não se encaixa, mas nele cabe todas as vidas. E a vida toda. Minha, sua, do passado, presente e futuro. Do espaço real e imaginário, folhas, falas, falos, saúde, mimos, unhas, cafés, com fés, músicas, chocolates, vinhos, vim e vinha. Deliciosas caminhadas, tempo sem hora marcada.
Tempo todo, de todos, para o gozo e desfrute, que me ensina: É no tempo livre que se plantam os melhores sonhos.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

OUTRORA




Nem a mais bela foto
Ou a mais bela face.
O tempo não tem volta.

Só uma certeza:
O que mudou por dentro;
por fora se mostra.

O tempo espaço agora se chama menino
Era a linda menina
É a mãe linda mulher.
Palavra-chave: compartilho.

Divido a vida:
Somo e multiplico.
E o tempo não se conta

O tempo é.

O gosto do café.
O chocolate a derreter na boca
Tirar a roupa.

Fim de semana, livro, vinho.
Um minuto sozinha, sushi,sashimi e sono
Caminhos... já passou... tenho um filho!

Palavra-chave: compartilho...

sábado, 29 de outubro de 2011

TÉO



Só nós
É o que somos.

E o cordão umbilical de outrora
É maior - infinito agora.

Nós que nos unem
Sangue, choro, riso, história, vida.

Tudo de antes de ti perdeu sentido
E tudo passou a fazer o maior sentido.

Meu passado
Tu é o presente
Nosso futuro

Sempre juntos.

Vim, vi
Vivi até aqui
Só por ti.

Já venci.

E descobri
O verdadeiro sentido
Da palavra amor.

domingo, 26 de junho de 2011

Mais um Inferno Astral



Aprendi comigo, sem negativas e com escolhas: não saio correndo para evitar o tropeço; antes de qualquer atividade, me aqueço. Salto quaântico. Quem guia é a intuição, diz o coração. E o caminho que se faz ao caminhar, diz o poeta. Reflito, respeito, repito. Mesmo quando há o caos, a paz é o silêncio; o vazio é tudo. E a contradição: enquanto houver jazz, haverá tranqüilidade gratuita. No blues a sanidade quem é blue, azul, azulzim, tudoazulzim.
Tempo passa rápido, todos sabem. Não é difícil conseguir o que se quer: duro é saber o que se quer. Por isso coração, intuição, sã, são repetição. Roda viva, em cima, embaixo, mas a vida passagem está na bagagem; o que fui: sou. E será. Agora nunca mais só: hoje mama o peito. Para sempre ama, carrego no peito. Desse amor, só meu, não há como explicar.
Humilde curvatura no chão para o alongar vertical. Equilíbrio rumo ao céu. E a maior dúvida, quem me ensinou foi o Téo: vem o menino, vai a menina. Mas continua buscando a rima. Muitas respostas, outros desafios. E bem sabe que a essência é a mesma: cheiro de perfume, gosto de café, barulinho de teclado, outras coisinhas boas e o eterno retorno. Em espiral, livros bem vindos, nada mal. Sempre é o tempo quase.
E as rimas na prosa poética, inconscientes, mas contentes. Melhor não falar nada, quando não se tem nada para dizer. Rimar, remar, respirar. Esperar é superar. O inferno já não é mais o frio de inverno, também não há mais o torturante sangue mensal, conquistas, vida, Astral. Aprender a ser diferente do que sempre projetou: a mudança chegou. Sã e santa. Três pontos são. Ponto final.

sábado, 14 de maio de 2011

AO CLUBE DA ESQUINA

(para Léo Castro)
(foto André Pinnola, 2011)


Sou única no fio de cabelo que voou pela janela.
Do amor de amamentar somos nós; dois.
(Não sei o que. Só sei que seio que ama; quem mama).

Das alegrias e desencantos de casar somos três, sempre um bom número.
Da emoção em ouvir Milton; muitos sentem-sabem. Bem.
Das cores, sabores, ritmos e texturas; os felizardos.
Para todos- deuses, heróis, ricos, espirituais, ignorantes, ansiosos - o tempo.

E lá se vai mais um dia.

E de repente um ano, dois, dez, trinta.
Uma vida.

Saudade, presente e futuro, em vento, invento.
Caos/cais.
Ás vezes até um pouco lento.

Mas só de ilusão, arte, sonho, memória ou momento.
Nunca em vão.

Vim, vamos?

Única, dupla, triplo, multiplico.
E quando necessário, me reinicio.