Tinha uma linda escultura de bexigas nas mãos. A criança ganhou o dia; na sua dimensão de tempo ganhou a vida. Era feliz com sua borboleta feita de balões rosa e colorido. Aquelas bolas que na verdade revelavam a beleza do que não se vê, do essencial invisível aos olhos: o ar, onipotente e onipresente. Onisciente só nós, que escrevemos, lemos e sentimos. Nós os/nos nós adultos que pensam já saber do destino da feliz criança com sua escultura inflável e infalível de cores. Muito mais além do ar é o que não se vê. Sutil pretensão que só vale pelo deleite da idade, da sapiência, do sonho de liberdade e saudade da infância já que é a eterna contradição: criança passa e infância fica. E uma coisa é certa: em breve serão balões murchos, senão estourados. Aí é melhor esquecer que um dia existiram e motivo para tanta felicidade? Esquecer... Rituais se repetem no ingênuo rosa de hoje que pode virar a frescura e a falsidade de amanhã. Mas todos humanos, por que julgar? Queria ser leve como o ar. Como o balão. Voar. Silêncio, pausa e o prazer inesgotável quase esquizofrênico da palavra e das lembranças. E, é claro, um pouco mais do que o sobre. Viver.
Carta para Hélio Lopes
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Oi pai. Hoje você faria 75 anos. Queria ter visto isso acontecer.
Esse fim de semana teve uma festinha de aniversário da Ana. Sua neta já tem
11 anos. J...
Há um dia