sexta-feira, 25 de abril de 2008

ESTAÇÃO


minha
vida
movida
em
novida
des
encontros

mínima
poesia.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

DOIS A ZERO


Os onze jogadores em cada campo estão preparados para iniciar a partida. E de um lado também temos ele- louco por futebol - e ela que nada disso entende. Entra o Juiz e uma relação estável; é o amor! Inicia a partida: Toque de bola para um dos times, ele não perde um jogo e ela decide aprender sobre o esporte. Cruzamento. Ele gosta de cerveja e ela de vinho. Um belo passe e a torcida vibra. Um ponto em comum: é realmente lindo ver a torcida vibrar! Centro-avante à direita, ela cozinha com prazer para ele que trabalhou no fim de semana e não pode ver o jogo ao vivo. Goooooooooooooooool. Mais torcida que vibra. Tiro de meta. A meta agora é um plano a dois. A bola se desloca para linha de fundo e os pensamentos dela são profundos: compreende melhor o universo masculino na tríade futebol- mulher -cerveja. Intervalo e no segundo tempo pensa um momento: a diferença é a tríade salão de beleza- criança- vinho. A certeza. Mais um gol e o time é classificado. Dois a zero e somos dois. Depois. Antes, os comentários sobre o jogo no rádio, tribuna esportiva, mesa redonda, jornal da tv. E no geral foi filme, teatro, colchões e você. Fim de fim de semana e uma felicidade: dois times que ganharam!

(para Bernardo.)

sábado, 12 de abril de 2008

(imagem do mestre Carlos Zéfiro)
Na esquina. Ventre. Liso e sorriso. Sem dente. Um segundo que fere, uma segunda-feira. A eterna sensação de que tudo escorre pela mão. Sim e não, sem lenço e silêncio. Sem paixão. Um pequeno presente e muita doença. A espera de alguém passar sem expectativa nem ansiedade; há penas. Necessidade. Fome, sem versos. Diversos. Chuva e buzina, nunca canção. Frio, casca dura e solidão. Não há saudade, não há vontade, não há tesão. O que há de mais precioso: um pano de chão. Madrugada. Uma puta. Uma pena.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Sem palavras

Um pingo cai
Procuro poesia
para me inspirar

Não há.

Hoje cabe
Só um
Haicai

segunda-feira, 31 de março de 2008

BRANCO

(foto de hoje; no auge do caos!)

Eu quero falar sobre o Diário da China de Morin, das Olimpíadas e a censura de Pequim, do absurdo que cometem com os Tibetanos. Eu quero falar dos livros que li, das peças de teatro que vi, das músicas que amo tal qual os polifenóis do vinho, o sabor do chocolate, o prazer no que como e também falar da carne vermelha que não como. Quero falar de como sinto a presença de todas as cores. Quero falar da minha infância, das minhas ânsias e das minhas crianças. Com elas aprendo ensino. Ensino a genialidade de Boal, mestre brasileiro como Niemeyer, Paulo Freire, Chico Buarque, Drumond. Quero falar de todos eles e outros mais. Eu quero falar que tenho desejos de mulher e um rosto angelical, uma alma velha e uma malícia terna. Eu quero falar do caos, do quântico; da partícula e do astronômico. Eu quero falar dos 111 presos assassinados no Carandiru, de Carajás, da Candelária, dos três “Cs” que marcaram minha adolescência e dos Cs do PCC que marcam a vida contemporânea. E que se relaciona com a Colômbia, que quero falar, que me lembra Venezuela, que me lembra a Cuba que morei e quero voltar. As veias abertas da América Latina não me bastam porque também me lembram a Europa que quero visitar, que me lembra o francês que estou sem tempo de estudar, e, quiçá o Doutorado que não paro de planejar. Eu quero todas as letras, todas as palavras, todos os verbos que me completem em minha incompletude que às vezes é tão forte, mas que volta-e-meia se vê tão fraca e perdida. Porque esse mar de quereres me empurra, me afoga, me domina como as tardes caóticas entre meus alunos em processo de criação no barulho da imagem em a ação; a imaginação. Eu quero tudo e tudo não me basta porque também quero profundo. Cinema, faculdade, cachoeira. O oceano é pouco, estrela é pouco, a mitologia, a física e a metafísica, a epistemologia é pouco. Queria a sutileza de um haicai, mas hoje em mim não cabe. Só esse bloco de texto, de quereres, sem mais palavras. Só. Pó. De concreto e concreta poesia em construção.

segunda-feira, 24 de março de 2008

MEDÍOCRE FILOSOFIA CREPUSCULAR


Quando saio do trabalho no fim da tarde tenho fome e pensamentos intensos numa velocidade oposta à da BR que pego para ir para casa. Hoje eles começaram suaves; pensava no ovo de páscoa que durou quatro dias. Amizade com a gordura e açúcar; viva as calorias vazias!
Mas o fluxo mental aumentava conforme a fome de carboidratos, proteínas e vitaminas no caminho da BR até o outro congestionamento na avenida que demarca o encontro entre a rua da PUC-PR e uma favela. Social contradição como o movimento dos carros e o dos meus pensamentos.
Nessa esquina vi um outdoor com a Fernanda Machado. Magra, quase padrão anorexico. A fome e o fluxo de consciência crescente trouxeram uma lembrança: foi a Fernanda quem ficou com o papel do primeiro teste para comercial que eu fiz. De lá para cá diminui consideravelmente essa rotina de atriz de comercial de tv que é tão vazia quanto as calorias do chocolate. Envolvi-me mais com a vida acadêmica e artística; tenho muito mais prazer em poder ter conteúdo para as vitais congestões da mente e o descongestionamento das calorias proibidas pelo ilusório mundo das mídias.
Andei mais alguns metros e as ilações mentais deixaram de lado o outdoor; fui surpreendida pela imagem viva e curiosa de três crianças cor de chocolate, entre 05 e 07 anos. Ali na favela cada qual comia um ovo de páscoa inteiro numa, literalmente, sentada.
Foi indescritível expressão que toda seratonina, endorfina ou sei lá qual outro hormônio do prazer produzido pelo açúcar revelava nas figuras mirins. Naquele momento não vi as cáries ou a falta dos dentes, o desbotado das peles, os pés descalços, a escola que eles não freqüentam, a necessidade de calorias reais e todas as outras carências que chamo de Brasil. Eram só crianças saboreando um ovo. Inteiro.
As bocas, mãos e desejos sublimados em chocolate que ganharam no sinaleiro. Provavelmente de alguém entre tantos que tem a preocupação de vida da ingestão de calorias vazias, o problema do trânsito ou a anorexia da estrela da tv. Como Eu. Como.
Só queria mais pôr-do-sol.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Malhação de Gerald Thomas



Que Gerald Thomas é um babaca eu já sabia. Não fazia questão nenhuma de acompanhar sua “estética” teatral, muito menos a sua egóica personalidade. Ele que comentou (referindo- se ao Antunes): “Já houve época em que fomos amigos. Assim como a classe teatral deveria ser. Quer dizer, exagero, claro. A utopia é sempre uma....utopia.Ao invés de estar infestada de vespas, essa classe já tão dividida e tão fodida, ainda consegue se auto-envenenar por causa de....ego mal resolvido” , ao meu ver é o próprio Ego mal resolvido(porque se fosse bem resolvido certamente não seria tão mala).
Mas, enfim, sendo professora de um curso ligado ao Teatro (na Faculdade de Artes do Paraná), mesmo sem gostar ou concordar com determinada referência considero de fundamental importância conhecê-la melhor: ou para mudar a opinião ou para argumentar a crítica com mais embasamento.
Eis que em plena véspera de malhação de Judas resolvi assistir a palestra “Gerald Thomas e seu teatro”. Feriado chuvoso em Curitiba e o evento foi marcado para as 16h num teatro muito, muito, muito, muito, muito, muito e muito longe. E mesmo entre outras ótimas opções de programação, escolhi verificar qual é a desse mala, quer dizer, desse cara.
Enfim, fui lá e agora posso afirmar com todas as letras: não gostei de “Gerald Thomas e seu teatro”. Por quê? Porque simplesmente não vi e não gostei; o Senhor "Ego Bem Resolvido” não veio para a palestra divulgada oficialmente na Programação do Festival de Teatro de Curitiba “porque não conseguiu passagens aéreas a tempo”. E claro, a platéia do evento não foi devidamente informada já que essa decisão do Diretor foi em cima da hora.
Me poupem!! Nesse sábado de aleluia vou malhar o Thomas e o espaço aqui está aberto para quem queira me ajudar. Humpf!