terça-feira, 10 de junho de 2008

SOPRO

(olhos meus, por Carlos Martins, 2004)

Tão vida bebe no peito, o bebê. O pai carrega para o carro a criança no sono de seus cinco anos. Os de uma década no teatro não percebem que lhes passou uma tarde porque estavam ocupados sendo rei, princesa ou dragão. A mãe sofre baixinho ao ler escondida o diário da adolescente que deixou para trás a virgindade. E sofre alto na conversa que revela - o que no fundo já sabia- o filho maior de idade: gay. Uma família de adultos unida da pior forma: deitados no tapete, sob a mira de bandidos num assalto. Os pensamentos de ansiedade aquietaram na mulher e a torturante espera de outrora é o conforto de agora. Enquanto isso a lua é linda e as estrelas permanecem. Testemunhas incompetitíveis. Um trago de cigarro, um gole de chá que esfria e música, sempre música, que trás o profundo silêncio. O olhar se eterniza em presentes palavras. Um sopro de tempo em cada geração, tudo que foi, é e será. Igual. Crianças que crescem e infância que fica. No peito bebe o bebê. O que foi leite e agora é vinho. Sempre bem vindo. Tão vida.

sábado, 31 de maio de 2008

MINI-CONTO DE MINI-AMOR

No começo todo presente era mágico. e para o futuro...um plano: juntariam cada dez centavos possível até um dia serem felizes para sempre. e o amor durou só seis reais. fim.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

AVESSO

(Pintura do meu querido e grande amigo Mayito, de Cuba)

Sou
Sol
E céu;

Não sei.

Só sei
que invento
quando vento

calor.

putas
pautas
e pausas

e claves.

de sol
no que é mente
e cor

azul
Do sonho
Meu.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Memórias de Maio


brrrrrrrrrrrrrrrrrr

Chega o frio e, mesmo tendo vivido alguns quase 10 220 dias inéditos, a sensação ruim se faz mesmice.
Nessa semana, pelo menos, percebi o cheiro bom da temperatura que só essa época tem. E também o pôr-do-sol e as noites estreladas que são mais lindas. Tomei vinho com companhia e sem maldade e dancei sozinha no meu quarto, de pijama, cachecol, touca azul e jocosidade. O que a vida não dá a gente faz, afinal:10 220 dias desiguais!
Coleciono o mal estar dos invernos, mas também algumas pequenas e grandes preciosidades; conhecimento, amores e amizades. Conquistas, conforto e aconchego numa caixinha de música. Um carro azul sem rádio na garagem e no diário às vezes também ansiedade e decepção, por que não? Menina de trança que voa-vai-e-vem na balança. Baila e dança a lembrançaudades.
Mas o que fica, mesmo em dias frios, é o presente e a beleza dos dias-presentes. Onde há procura, há cura em céu, nuvens e pensamento. E atitudes em firmamento, passo- a -passo de pés no chão. E cada vez mais a maturidade grita a descoberta de que só coberta não aquece o coração.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Á PROVA


Chove e me acalma;
Lava a casa
A calça
E a alma.

Eu sou – também-
Uma gota
Louca
Daqui para o além.

Tempo traz
À prova;
Ausência e essência
Em permanência.

Licença;
Sem lenço
Documento
E silêncio

Sim ao pensamento
Sem ti (r)
Par(a) ti(r)

sexta-feira, 25 de abril de 2008

ESTAÇÃO


minha
vida
movida
em
novida
des
encontros

mínima
poesia.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

DOIS A ZERO


Os onze jogadores em cada campo estão preparados para iniciar a partida. E de um lado também temos ele- louco por futebol - e ela que nada disso entende. Entra o Juiz e uma relação estável; é o amor! Inicia a partida: Toque de bola para um dos times, ele não perde um jogo e ela decide aprender sobre o esporte. Cruzamento. Ele gosta de cerveja e ela de vinho. Um belo passe e a torcida vibra. Um ponto em comum: é realmente lindo ver a torcida vibrar! Centro-avante à direita, ela cozinha com prazer para ele que trabalhou no fim de semana e não pode ver o jogo ao vivo. Goooooooooooooooool. Mais torcida que vibra. Tiro de meta. A meta agora é um plano a dois. A bola se desloca para linha de fundo e os pensamentos dela são profundos: compreende melhor o universo masculino na tríade futebol- mulher -cerveja. Intervalo e no segundo tempo pensa um momento: a diferença é a tríade salão de beleza- criança- vinho. A certeza. Mais um gol e o time é classificado. Dois a zero e somos dois. Depois. Antes, os comentários sobre o jogo no rádio, tribuna esportiva, mesa redonda, jornal da tv. E no geral foi filme, teatro, colchões e você. Fim de fim de semana e uma felicidade: dois times que ganharam!

(para Bernardo.)