quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

ANO NOVO


(foto de Carin Wagner, dez. 2008)


Que a música continue presente
Que nunca se deixe de acreditar na gente
Que se entenda que recuar às vezes é ir para frente

Que se ame, ame, ame.
Que se ame intensamente.

Que nenhum obstáculo vire fuga
Que nenhuma pessoa fique muda
que pedras virem desafio
e construam sempre um novo caminho.

Que os pássaros continuem cantando na janela
Seja lá qual for ela.

Que o ego se perca dos os eus
E se encontre mais vezes com Deus.

Que peito seja poesia
Que pés sigam chãos
Que mãos sejam guia
Que não se tema a solidão

Que a mente não adoeça
Que cresça
Que floresça
E se fortaleça

Que nunca se deixe de crer
Pois somos tudo o que não se pode ver

Que os sonhos não se acabem
Que procriem
Recriem
Infinitos espirais
Para mim
Para ti
E todos mais...

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

PAIXÃO

(foto de Lindsey Rocha)

meu amor
saiba que tudo acaba...
e quem sai loucamente pelo corredor
atropeça na escada.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

PRÓXIMA PARADA...


Não quero nesse texto entrar no mérito de as produções cinematográficas nacionais ficarem concentradas nas mãos de poucos ... o fato - não justificável para o exposto, evidentemente – é que gosto muito dos trabalhos de Bruno Barreto e Fernando Meirelles. Ontem assisti “Ultima parada 174” e, recentemente, o “Ensaio sobre a Cegueira” dos respectivos diretores. É para aí que conduzirei as ilações.
O Ensaio foi um livro que marcou intensamente minha vida, um soco no estômago tão forte quando li que já fui anestesiada para a catarse cinematográfica. Mesmo assim digo com todas as letras: o filme é muito bom.
Parece ficção, mas quando vi as imagens das destruições desse ano em Santa Catarina me veio à mente a cena do caos da cidade dos cegos do filme. Cenário. Mas e o comportamento humano? Sim, “essa coisa que não tem nome é o que somos” não é cenário, não é ficção. O Brasil é cego e não enxerga suas crianças, seus doentes, seus infratores nas ruas, presídios e febens, suas favelas, sua falta de educação, sua vergonhosa mídia-espetacular.
Por isso acho que o filme de Bruno Barreto tocou-me um pouco mais profundamente como espectadora de cinema. Foi o mesmo soco de quando li o “Ensaio sobre a cegueira” em 2000, no mesmo ano em que pela televisão, ao vivo, vi o seqüestro do ônibus 174, diga-se de passagem.
E diga-se de passagem, o que assisti naquela época me pareceu muito com o que assisti ao vivo meses atrás, quando ocorreu o seqüestro de duas adolescentes. Vi a história virar uma novela de triste fim, como vi a novela de uma criança que foi jogada de um edifício e de outra criança que foi encontrada dentro de uma mala na rodoviária da minha cidade. Não é ficção, é 2008.
E não era ficção a Chacina da Candelária, que vi no noticiário quando ainda era uma adolescente e me marcou profundamente. Lembro daquela época, marcado pelos “Cs”: Corumbiara, Candelária, Carajás, Carandiru. Triste aliteração. Lembro de todos esses e outros absurdos citados, de tuod o que ocorreu em 2008 e que evitei escrever a respeito no blog, pois a mídia já havia dilacerado e exposto em praça pública.
Mas hoje vim falar, a próxima parada é 2009 e não posso me calar.
Vim falar que toca em mim a relação ficção-realidade que se constrói no mundo-imagem de hoje. Me revolta o simulacro porque o que vale é o ibope, seja da novela, seja da miséria humana. O seqüestrador é o que está em foco, não importa se herói ou bandido. As crianças maltratadas não levaram a discussão da infância no Brasil. O importante é a repercussão que causa a notícia, nunca a causa ou a solução.
E ninguém pergunta o que causa a notícia... Cadê a reflexão acerca da desigualdade social, dos roubos no congresso, no senado, da vergonha da saúde, educação, das estradas do país, do abuso que pago de impostos e que nunca retornam nessas melhorias?
Enquanto não vejo reação na realidade acredito na arte, ainda. O cinema, a literatura, a música, o teatro...o que traz a poesia ao que é dor, que leva ao mínimo de reflexão, ou ao menos à catarse. Diferenças sutis e sinestésicas: a sensibilização e o sensacionalismo. No mínimo “A day in the life”.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

SOMBRA

(foto de Ivonaldo Alexandre)

Me perco de ver
manchas
em meu olho verde

Fendas no universo
que levam
ao mais misterioso verso

O que desconheço em mim.

surpresa e fascínio;
Espiral e imaginário.
sem fim...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

LIBERDADE

(Para Fernando Niero)


Sou putinha
Na vida
Muitas coisas são quase

Sem medo dos medos
Dos nãos e dos erros;
Sempre tento

Rosto de criança, ma(i)s
Alma rabiscada de rascunho;
Calos e cicatrizes feitos a punho.

Dia –a -dia imaterial
Certeza do que se traduzem em existência.
Matéria vem da experiência.

Chocolate
De dia
De noite
Pimenta.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

DE NOVO


Duma flauta transversa ouço um som que diz: mudança. Algo que pulsa em mim muito além das batidas do coração e do tempo da inspiração e que quer gritar, atropelar, nascer, romper, ferir para brotar. É brainstorm e não é lead, os jornalistas que entendam a metáfora. Mas não é notícia também, afinal, sempre fui mais poesia. Quero mudar de casa, quero viajar, quero bater asas. Cansei de ser livre como roupas no varal; quero agora ser o vento, etéreo, histérico, esquecer o tempo. Sou mulher além do espelho porque a fundo amo e desejo. Humanidade. Sonho na força da fertilidade. O que me faz e faz gente, a força do infinito, dos altos e baixos, medos, tentativas e acertos e acima de tudo, fiel e divino. Sou só o que ouço. O som da mudança: dança mundana, me espera o mundo, som, mudo, reafirmo: sem medo, balanço a fundo, me firmo.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

MEDOS


Sim,
Simples assim,
Como as flores que desenhei em mim.

Não é metáfora,
é razão;
Desenhei as flores com a mão!

Com fé,
Desenhei a primeira
Quase no pé.

Flores de criança
Como quem se lança
mas que balança.




Como rimas pobres
Que brincam de poema;
Mínimo fonema.

Ontem o que passou
Esqueço... revivo
Paro...respiro.

E vou.
E vôo.