sexta-feira, 17 de março de 2017

Destino

O que sinto
Levo comigo
Até desaparecer

Carrego na mala
Nessa jornada
Pela estrada
Que procuro correr

Sem caminho,
Só caminho
Vezes só 
Vezes assobio 

E quando menos espero
Uma curva, 
Um esconderijo
Ou um abismo.

Sem atalhos.

Mas as vezes
Um presente;
Uma passagem
Secreta,
Direta,
Ao que se sente.

E encontro  a felicidade.

Por enquanto
E para sempre
Só caminho (s).

terça-feira, 14 de março de 2017

ABISMO


Em que lugar guardei meu coração?
Quando deixei de lado a emoção
E dei soberania à razão
Porque sentir demais me fez sofrer...

Acho que foi
Quando cortei meus cabelos
Arranquei aqueles anseios
De te quero mais...

Porque perdi o bonde do tempo
Vivendo um sentimento
De quem espera no cais.

Os beijos que não te dei
Os momentos que com você não passei
A vida que não existiu jamais.

Quando eu reencontrar meu coração
Roto, rasgado, despedaçado
Prometo colocá-lo no devido lugar

Mas por enquanto sigo só
Com minha razão
Silenciando esse desejo de amar.

sábado, 12 de novembro de 2016

HOJE (Para Fraya Hipert)

Hoje eu acordei pensando em como amo correr e fazer Yoga e sinto necessidade de novos desafios para essa casa chamada corpo.  Fiquei com vontade de voltar para a acrobacia aérea ou para a capoeira...
Hoje passei a manhã em uma conexão profunda com Deus, absorvendo a natureza pelo mar, céu, areia. Rodeada de pessoas incríveis e lendo os ensinamentos de Kardec. Muito pouco é essa casa chamada matéria.
Hoje a tarde embarquei na infância do meu filho; na alegria de catar conchinhas,  brincar com um graveto,  inventar tempo . Viajei no espaço,  visitei castelos de areia, mergulhei em águas,  menos profundas do que as histórias  criadas, os beijos e abraços dados... não tenho palavras para descrever  a gratidão que é ser sua mãe, Teo, meu menino mais bonito. Essa casa que não se vê é a verdadeira morada.
Hoje a noite pensei em como é bom amar sem medo. Porque o amor real liberta e não aprisiona. Um canto não me sai da cabeça para lembrar que a arte é a casa do meu descanso.
Hoje passei o dia pensando que nada sei. Amanhã posso estar fazendo o doutorado. Cuidando de uma nova filha. Tratando de uma doença. Bailando em acrobacias. Andando em uma cadeira de rodas. Me despedindo para uma outra vida. Sorrindo. Sofrendo. Não sei, nada sei.
Por isso preciso dessas palavras. São deuses eternizadas em cada letra, leitura, essa estrada.
De quem vive intensamente cada passo dessa caminhada.
Só hoje.
Vida, obrigada.

domingo, 31 de julho de 2016

CAMINHADA




Aos vinte e nove
Quase adulta suficiente
Deus
Deu-me;
 O melhor presente.

O maior ensino;
A poesia em forma de menino.

E ele cresce
E vive...

Livre.

E eu
 – na verdade menina –
Seguindo minha sina
em minha ânsia
Redescobri a infância.

Um dia ele no mundo
profundo
Vai saber que aqui
Sem ais
Existe apenas o cais.

Por isso deve voar
Pois terá sempre
 Um lugar para voltar.

Mesmo só...
São
Nós...

Como os livros
Como Dó ré mi fá
Sol...
Lá...

Sem dó.

Como eu mesma sei
Onde sempre posso ancorar...

E por que mistério
Sei que não quero!

Porque tem esse mundo;
Tem o mar
Tem o amar...
Tem o céu
Tem o caos
Tem o cais

Quero sempre mais...

Pois adoro Cronos, Hades, Prometeu...
Adoro Zeus, Deméter e Pérsefone;
Dionísio e Epimeteu...

Talvez você e eu.

Como Urano e Gaia
Eros e Thánatos 
Algo Freudiano...

Como um poema
O universo...
Em verso.

Eis a vida;
Tanta rua
Tantos caminhos
Mas sempre uma lua...

E aos trinta e seis
Entre fogo e água
E tantos vocês...

Redescubro
a essência do que sou;
Busco um pouco na terra
Que é o que sempre restou.

Só para plantar...

Brotar.

Nascer, morrer...

Mas sempre cultivar.


Uma semente
Minha mente
Que tanto quer voar.

Oh, sina,
Traga para minha vida
humildade,
simplicidade.

Para apenas

Meu Destino encontrar...

quinta-feira, 28 de julho de 2016

UM TEMPO



Yoga, corrida, arte e café
Três livros e muita fé.

Tempo e pensamento.
Sem te ver;
sem  você.

Aqui, agora
Toda hora
A poesia que jorra
De quem não sabe mentir...

Mas sabe a hora de partir.

A certeza de que tudo passa;
A necessidade de descansar a asa...

É para depois voar!
Mais longe;
Mais forte.

Para um novo lugar... 

domingo, 29 de maio de 2016

SINA




E  todas as letras se espalharam pelo chão,
Do caos
nenhuma palavra  brotou então
Porque palavras, letras ou sons
não são...

A poesia não nasce assim,
Nem receita nem alquimia...
Nem química.
Nada de mim.

Vem daquele lugar
Tão humano e tão singular
Nem meu, nem seu...
É de Deus
É alma
É amar.

Daquele infinito
Tão bonito
Tão cheio de nada
Que por isso
tudo pode brotar...

A poesia
A  alegria
O amor
E até o terror...

Mas se tudo pode
É só escolher o que plantar.

No  infinito dessa mente
Que sente                                                  
- Que sentipensa -
Prefiro que brote o amor
Pois sob o deserto  há um rio
e sempre haverá uma flor

E eu rio...

É o sorriso
 mais bonito
Que chegou
Me olhou
Me levou
E me calou...

E percebi que a  poesia e a canção
São
Como uma oração.

E tanta poesia gritando em mim
que não consegui a exprimir
O sentimento mais profundo
Mais que o mundo
Mais que o aqui...

Mais que as letras
Que o deserto
Que o alfabeto
Que as infinitas possibilidades
Porque agora só me grita uma verdade;

O Caminho
O carinho
Que se faz ao caminhar
Ao pensar
Ao  materializar
Em palavras
Em desejos
Em sentimentos...

São tão intensos
Que nem o tempo
Nem o silêncio
Conseguem calar.

Um caminho
Que se faz ao caminhar
Pelo alfabeto
Pelo deserto
Pelos rios
Pelos céus
Ou pelo mar...

Áh, mar...
Por esse navegar
Sou deserto
Alfabeto
Sou caminho
Sou barco 
Sou trilha
Do caos
Ao cais


Mas sempre a navegar...

terça-feira, 1 de março de 2016

SAUDADE



Alma livre
Um livro
E o coração tranqüilo.

Não há o que pague
O preço da liberdade...
Uma vida que grita:
Tens muita estrada ainda!!!

Estradas e estrelas.

Não importa o lugar
Estamos perto
Sob mesmo céu aberto

Só muda o luar...