sexta-feira, 14 de setembro de 2018

O que me leva
E o que me traz
O tempo.

Pensamento,
Sentimento
Enfrentamento

De mim.

Sorrateiro
Constante
Sagaz
Sem fim

Sempre presente
Carregando meu passado
Preparando meu futuro
Tanto que nem sei...

Na cabeça muitas idéias
E cabelos de outrora dourados,
Agora grisalhos
Muito mais ouro valem

Com muito orgulho.

Mergulho

Cada vez mais profundo
Nesse mar sem fundo
Do viver

Só ser
Estremecer ao saber
Que cada vez menos serei

E deixar assim a vida mesmo responder
As ânsias que pareciam não caber

Sempre fui assim
Mas agora mais calma
Vou compreendendo minha alma
E tantos desejos que habitam aqui

Essa casa
Tão arejada
De liberdade
Onde entram e saem passarinhos
Que me convidam a voar...

Vou lá
Encontrar a poesia esquecida
Na correria do dia a dia
Mas que está La, adormecida
Me esperando para acordar.

Me desfaço
De tanto autos retratos
E compreendo
Que tenho muito mais o que mostrar...

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

A volta do malandro



         Dos últimos três shows do Chico Buarque  que assisti: "Carioca" em 2008 (Teatro Guaíra, Curitiba); a turnê do álbum "Chico" em 2012 e  agora "Caravanas" (os dois no Vivo Rio), digo enfática e categoricamente que  esse último foi o melhor de todos. E arrisco a dizer que foi um dos melhores shows de toda minha vida!
         Primor do inicio ao fim em todos os quesitos: a elegância do figurino; a estética clean do cenário; a sutileza da iluminação - um espetáculo a parte; os músicos maravilhosos que o acompanham com destaque para Bia Paes Leme em "Dueto"; a escolha do repertório das composições antigas e claro, a graça das músicas do novo álbum.
         O músico e sua embaixada abrem o espetáculo mostrando que vieram para arrasar e resgatar o vigor e musicalidade do velho Chico, o que não se viu no show de 2012.     Com muito mais músicas, “Caravanas” trás na seqüência “Mambembe”, “Partido Alto” e a eternamente “Iolanda”, do repertório antigo, e “Casualmente” e “A moça do sonho”, ambas do álbum que se lança.
         Em seguida a homenagem em bom e para o Tom ficou com “Retrato em Branco e Preto” e já no final do show com a emocionante “Sabiá”. E como não poderia deixar de ser, o saudoso Wilson das Neves também foi homenageado, com direito a chapéu e tudo.
       Para quem, como eu, ama as composições dramatúrgicas do Chico, a deliciosa oportunidade de ouvir alguns clássicos de a “A ópera do Malandro (com bônus de “Geni e o Zepelim”, no bis) e de “A gota d´água”. Mas o auge, sem dúvida, foi “A história de Liliy Braun” que emendou com a “Bela e a Fera” num arranjo de jazz tão fantástico que trouxe a tona toda a mística e emoção do Grande Circo.
         Aliás, um parágrafo de destaque para falar dos arranjos incríveis desse show; mérito de Luiz Cláudio Ramos, que assina os arranjos dos Shows de Chico há décadas e é também quem toca violão e guitarra no espetáculo.
         As músicas do novo álbum tem a cara do Chico de outrora. Só ele para tratar com tanta poesia de questões sociais. "Blues para Bia" é jocosa ao falar de uma garota homossexual. Atualíssima em época de empoderamento feminino e defesa de direitos às diversidades. A música que nomeia a turnê é uma luvada de pelica na elite branca carioca. Versos ousados como “E essa zoeira dentro da prisão/Crioulos empilhados no porão” apontam uma realidade que não mudou muito  nessa caravana que segue desde o Brasil escravocrata.

         Aliás, para mim, que ha quase 8 anos resido no Rio, o show teve um toque muito, muito especial, pois só agora entendo na pele, na alma, na minha história o significado de Real grandeza, Simpatia é quase amor, Mangueira, São Sebastião e de tantas outras faces desse Rio de beleza e caos que abriga na sua poética um dos maiores artistas do país. Ode ao Chico!   Minha humilde homenagem a volta do malandro.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

lua crescente





O dia se renova nas madrugadas em que envelheço. Adoeço ou enlouqueço; me coço e não adormeço. São os pernilongos que me devoram. Não. É. Só. Isso. Não esqueço da menina que fui outrora. E a ansiedade da mulher que vejo surgindo agora. Nessa hora, dessa caminhada que não sei se demora, se finda, se só começa ou se eternamente retorna. A vida, essa prosa. Me eternizo em palavras que não sei para quem, nem porque. Não sei. Mas resistem e insistem em manchar um papel que nem existe. Desse mundo de tantas coisa, tanta gente, tantos pensamentos, tantas emendas... E para hoje uma só encomenda:  insônia. Dos pernilongos me vingarei amanhã. Esse sono recupero de manhã. Tudo bem, não devo nada a ninguém... Só a essa noite, um única escolha: permanecer acordada.  Fora medos. Tenho orgulho do que sou e não vou me perder por que sei o que conquistei com meus dedos: empregos, amigos, marido, gato, filho... E agora uma grande casa! Sou eu quem atendo, sempre muitos planos chamando logo cedo... É o que move a vida, já foram tantos, mas o tempo é ainda. Alguns segredos no peito, quem não tem? E loucas histórias já concretizadas, isso faz bem. Esses pernilongos devem ter inveja de mim, só pode ser isso que justifica essa noite sem fim... Mas não serei por pouco derrubada. Nem por muito. Pode vir doença, descrença, desafios, presepadas. Junto vem a luta e o que se perde é o que se ganha no caminho: a experiência é o sentido dessa caminhada. Já foram tantas insônias, porque ficar apavorada? Um dia vou ter mesmo que dormir eternizada... não tenho pressa, enquanto a palavra é o que me resta, vou zombando dessa madrugada...

domingo, 30 de julho de 2017

Viajo
Me despeço de meus laços
E parto
Ao encontro do acaso
Meu amigo o solitário
Que me trás novo cenário
Do amanhã que não projetei

Já não sei
Onde me perdi
Ou onde me encontrei.

Já não sou
Quem outrora tanto amou
Não sei o que restou
Mas me reconstrui.

Só ri.

Mais forte
Mesmo com pés feridos
Mas aprendi a procurar abrigo
Quando a vida demandar

Viajo
Deixo minha casa
Abro minhas asas
E volto
Sem soluçar

Soluções estão presentes
Em meu inconsciente
Não sei porque
Insisto em procurar...

Já não sou
O que será...

Confio no que a vida me trará.

domingo, 14 de maio de 2017

Maternidade

A janela aberta da casa
Ou o vento que me abraça
Me lembram a todo momento;
Não há erro,
Sempre recomeço.

A vida é mais profunda
Que uma fase, uma etapa, uma curva.
Vou com calma
Escutando as verdades da alma...

E esse tempo
Em que me reinvento
Me ensina a criar laços
Para costurar meus pedaços.

Porque sou feita de suor, sangue e choro
Mas também de muito sonho...
Que resgato em cada corrida
 (Minha limpeza da mente)
Ou em cada poesia
(que me faz seguir em frente...)
Mais menos um dia.


sexta-feira, 17 de março de 2017

Destino

O que sinto
Levo comigo
Até desaparecer

Carrego na mala
Nessa jornada
Pela estrada
Que procuro correr

Sem caminho,
Só caminho
Vezes só 
Vezes assobio 

E quando menos espero
Uma curva, 
Um esconderijo
Ou um abismo.

Sem atalhos.

Mas as vezes
Um presente;
Uma passagem
Secreta,
Direta,
Ao que se sente.

E encontro  a felicidade.

Por enquanto
E para sempre
Só caminho (s).

terça-feira, 14 de março de 2017

ABISMO


Em que lugar guardei meu coração?
Quando deixei de lado a emoção
E dei soberania à razão
Porque sentir demais me fez sofrer...

Acho que foi
Quando cortei meus cabelos
Arranquei aqueles anseios
De te quero mais...

Porque perdi o bonde do tempo
Vivendo um sentimento
De quem espera no cais.

Os beijos que não te dei
Os momentos que com você não passei
A vida que não existiu jamais.

Quando eu reencontrar meu coração
Roto, rasgado, despedaçado
Prometo colocá-lo no devido lugar

Mas por enquanto sigo só
Com minha razão
Silenciando esse desejo de amar.