sábado, 16 de fevereiro de 2008

MAIS FILMES...



Duas histórias baseadas em livros (Oil!, de Upton Sinclair, 1920 e Onde os Velhos Não Têm Vez, de Cormac McCarthy, 2003); dois atores fenomenais (Daniel Day-Lewis, Globo de Ouro de melhor ator, e Javier Bardem, do recém postado Amor em tempos de Cólera); dois filmes ambientados nos desertos norte-americano (Califórnia e Texas); duas histórias sobre dinheiro e violência (decorrentes da explosão petrolífera da virada do século e do tráfico internacional de drogas); 16 indicações para Oscar (oito e oito, respectivamente!) e uma coisa mais do que relevante em comum: o surpreendente final.

Sangue Negro (There Will Be Blood. EUA, 2007), do escritor e diretor Paul Thomas Anderson e Onde Os Fracos Não Tem Vez (No Country For Old Men. EUA, 2007), dos Irmãos Ethan e Joel Coen, são os nomes dos dramas cinematográficos, excelentes, diga-se de passagem.

O primeiro é a história de vida do pai solteiro e magnata do petróleo Daniel Plainview. Ele descobre numa pequena cidade, Little Boston, a existência de um mar de petróleo. Segue para lá com o filho, H.W. (Dillon Freasier), mas a adaptação na cidade é difícil, sobretudo em função da igreja do carismático pastor Eli Sunday (Paul Dano, ator maravilhoso, desde Little Miss Sunshine, aliás!). Plainview e H.W, tentam a sorte, mas mesmo quando o poço traz toda fortuna, nada permanece igual; valores humanos - amor, esperança, comunidade, crença e elo entre pai e filho - são colocados de lado em função de mortes acidentais ou não, corrupção e fraude em torno da riqueza petrolífera do protagonista.

A segunda história se passa na fronteira com o México, onde o descumprimento de leis contextualiza um novo mundo cujas antigas regras não mais se aplicam. Triste com essa realidade, o xerife Bell (Tommy Lee Jones) representa uma inconsolável nostalgia e forma de resolução de crimes ainda do modo ortodoxo. Nesse clima persegue um texano comum, Llewelyn Moss (Josh Brolin) que se apossou de dois milhões de dólares encontrados na caçamba uma picape cercada por homens mortos com uma carga de heroína. Paralelos à precária perseguição do xerife, poderosos do tráfico também buscam o dinheiro, o que dispara uma violenta reação em cadeia.

Durante a exibição, é de se ficar tensamente grudado na cadeira. Mas é no final que as surpresas se revelam nos filmes: as histórias explicitam como o poder do dinheiro numa sociedade cujo ter sobrepõe-se a qualquer ato de ética ou humanismo é representado por uma violência gritante. Metáforas da vida real.

3 comentários:

R Lima disse...

Gosto de filmes assim.. o Onde os Fracos Não Têm Vez é dos irmãos Coen os mesmos, se não estou enganado, de Fargo..

Chega a ser trash o trailer... mas interessante.

Vou ver se o assisto amanhã. Se convenço alguem me acompanhar.r.s.

Bjs,




Texto de hoje: AmiZadE...

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O AveSSo dA ViDa - um blog onde os relatos são fictícios e, por vezes, bem reais...

La Pasionaria disse...

Um encanto o seu blog, Ju.
Magia, palavras íntimas e bem-ditas, que a vida nos trás...

Fiquei tão feliz, depois de um tempão que o texto tá no blog, vc rizomar a internet e chegar ao Anton Pavlovitch Tchecov, nesse monólogo ímpar que me faz rir e chorar!

bjuxx!

Deixei lá nos comments pra vc, assim:

Ah, que lindo!
Alguem especial, VC!
Por adorar esse texto, que eu tmb adooro! :)

Lord of Erewhon disse...

Quero ver ambos, ainda não vi porque tenho estado com gripe - me lançaram praga! :)